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18 de abril de 2009

Face Value

Cecília, a gata aristocrática, quase não tem voz. Mia seguido, mas nada se ouve. Olha para a gente, com aqueles olhos verdes que ela herdou de mim, mia fundo, mas não sai som nenhum da sua garganta.

Por algum tempo, achei que ela fosse muda. Ou que tivesse um problema nas cordas vocais.

Papa, can you hear me?

Recentemente, fuxiricando no site do Catster, descobri que os gatos “mudos” existem, não são poucos, e, na verdade, não são mudos! É só que o miado deles é emitido numa frequência inaudível para os ouvidos humanos. Somos nós, macacos pelados, que não ouvimos sua voz. A Cecília, ela, se ouve perfeitamente miar, e o irmão dela a ouve também. (É verdade, já vi a gata miando ar uma vez e o Sebastião se virou para trás, como se tivesse ouvido alguma coisa.)

O marido, que é meio paranóico, tem medo pânico de que um dia a gata fique trancada dentro de um armário ou alguma coisa e de que ninguém a ouça. Na verdade, isso já aconteceu uma vez – e quem a achou foi o outro gato, o que talvez prove a teoria do Catster. O Sebastião se plantou na frente da gaveta das cuecas do marido e miava, triste. Quando abrimos a gaveta, de lá saiu a Cecília, que deve ter ficado uma boa hora e meia presa com as meias soquete.

Além de paranóico, o marido tem outras coisas estranhas. Ouve interferências, onde ninguém mais ouve, como os miados da Cecília. Estávamos esses dias sentados catatônicos na frente da TV e de repente ele grita: que gente burra! Como podem chamar um sapato assim?

O sapato em questão era este, da marca Hetane:

My website is as hopeless as it seems

E o problema todo reside, conta-me o marido, no fato de que, em japonês, hetane significa “que coisa mais mal feita”.

Pensando bem, talvez o publicitário encarregado da campanha dos sapatos fosse descendente de japoneses e soubesse muito bem o que estava fazendo quando escolheu o nome.

A história dos nomes de marcas que são um desastre em outras línguas é bastante rica. Um caso bastante famoso é da caminhonete Pajero, cujo nome, em espanhol, quer dizer “punheteiro”.

Yes! I want a free handjob with my new purchase!

Ser casado com um professor de japonês tem seus problemas. Quando conheci o marido, eu tinha uma tatuagem na canela, que eu acreditava ser meu nome escrito em katakana. O marido tirou-me a ilusão com um risinho irritante: eu tinha escrito irreversivelmente na minha pele, não Marusero, como seria meu nome em japonês, mas manosero, uma palavra que, segundo consta, nem existe.

Sendo uma das poucas pessoas no mundo casada com um professor brasileiro de japonês, fui obrigado a mudar minha tatuagem – hoje tenho um gramofone onde antes havia um erro de ortografia.

14 de julio de 2007

Week-End à Saint-Etienne

Tá, Betty Faria ou Etienne Dahoria?

Vou aproveitar que a música tema de Olavo e Bebel (Wagner Moura e Camila Pitanga), da novela das oito, é de um de meus cantores preferidos, e vou fazer um pouco de propaganda...

Tu me fais tourner la tête, na verdade, é um standard de Edith Piaf, que já apareceu em outra obra de Gilberto Braga – era da trilha sonora de Anos Dourados.

A versão de Paraíso Tropical é de Etienne Daho – cantor culto na França, o assexuado mais sexy do new wave gaulês.

Santo Etienne, fofo pop, é o autor de Week-End à Rome, aka He’s on the Phone, sucesso na voz de Sarah Cracknell, do grupo inglês.... Saint Etienne.

Etienne Daho gravou, coverizou, influenciou e foi influenciado por um bocado de gente bonita.... Françoise Hardy, Air, Astrud Gilberto, Jane Birkin, William Orbit, Marianne Faithfull...

Mais uma coisa deliciosa: Santo Etienne é amigo de Pierre et Gilles. Aqui vai uma foto dele feita por eles:


Capa do Ep Reserection

Baixotildes a Piafildes, o Etienne Dahildes, o Week-End à Rome e a Sarah Cracknildes...

O guri do travesseiro fez uma paródia da música, meio figo meio passa, naquele site dele...

27 de febrero de 2007

and the Oscar goes to Lília Cabral

Why can't you give me the respect that I'm entitled to?

O diálogo da cena que passa no telão da candidata a melhor mãe malvada verossímel em novela:

- Você, tão bom, tão gostosinho, tão pobre, com a tua namoradinha que foi a Bebel Gilberto no filme do Cazuza, junto com o clone do Dr. Dráuzio e o fantasma da Nanda vão para A... msterdã.

- Ah, aproveita e passa na Doutora Regina Helena Duarte e cata a Clarinha, não, melhor, passa sexta no Ocidente e pega a outra Clarinha já trêbada. Vão todos para Amsterdando, vão estudar arte! Arte! Fora da minha casa! Fora! Vão todos para a casa... barco!!!

Talvez uma das únicas cenas que valeram durante esses 900 meses da novela Linhas Tortas em Páginas Mal Escritas.

Agora vou ver o paredão. Que medo!