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27 de febrero de 2011

Torcendo por Mr Fincher



Rebecca, Vogue ou a arte de filmar janelas com glamour
Bom, a coisa começou meio assim. O marido inventou de ver aquele filme do Facebook, porque amanhã é dia de Oscar. Achei meio fraquinho da parte do marido, porque tínhamos combinado antes que não íamos ver esse filme, que era só o que todo o mundo anda vendo, sobre um assunto que não era tão interessante, etc etc.


Bom, mas no fim eu estava cansado, queria ficar sentado, então o marido venceu e vimos a tal Rede Social. Concluí finalmente que o filme era muito bom, que estava sendo preconceituoso não querendo vê-lo, etc etc (e o marido, que no fundo também não apostava muito no filme, concordou).


Assim que o DVD terminou, a primeira coisa que eu disse foi: "Quero ver Express yourself, da Madonna, porque faz horas que ando querendo ver".


-- Só por causa da música nova da Lady Gaga? -- perguntou o marido, revirando os olhos.


-- Não. Quer dizer, talvez -- respondi -- Faz horas que quero ver esse vídeo -- teimei.


-- Bom, é um super vídeo clipe, eu também gosto. Quem é o diretor?


Eu estava com a capa do DVD na mão. Dei uma olhada e respondi:


-- David Fincher, por quê?


-- Tu tá brincando, né?




Metropolis, Express yourself, ou a importância do coração entre as mãos e a mente
Bom, como vocês todas, wikipédicas superinformadas que leem meu blog já sabem, que eu não precisaria apontar a nível de informação, o diretor do filme A Rede Social é o David Fincher. Sim, o mesmo. Como assim? E não apenas! Ele é o diretor das seguintes coisas importantíssimas abaixo:


Express Yourself e Vogue, ou seja, as primeiras Madonnas chiquetérrimas cheias de referências do cinema -- o diretor foi, em suas vidas anteriores, trocador de rolo de projeção de filme. Express yourself homenageia o filme Metropolis, de Fritz Lang, e o livro Atlas Shrugged, de Ayn Rand. Vogue, além da orgia de pictures of beauty queens, tem uma fortíssima vibe Rebecca, de ninguém menos que Alfred Hitchcock. Da Madonna, David Fincher ainda dirigiu Oh Father e Bad Girl.




Cold hearted, All that Jazz, ou Burlesque my ass
(It's Just) The Way That You Love Me, Straight Up e Forever Your Girl, da Paulinha Abdul. Pois quem não quis dançar em preto e branco fazendo Vogue antes mesmo da Mad? Straight Up é de 1989. Ah, ele dirigiu o clip de La Abdul que é uma homenagem a All That Jazz do Bob Fosse (Cold Hearted).


Freedom 90 da diva George Michael, aquele vídeo em que ele mesmo não aparece.


... precisa mais?

10 de febrero de 2011

Para onde vamos nas Férias?

Parada Gay em Buenos Aires (foto meramente ilustrativa)


No primeiro semestre de 2010, orientei um trabalho de conclusão de curso que foi sobre os destinos turísticos de homens gays de Porto Alegre. Foram questionados 50 moços. O TCC deu muito o que falar. Professores no armário, sairam em pleno auditório. Toda uma loucura!

Em 2010-2, tive um aluno que está montando junto com seu companheiro (marido, mariposo) uma pousada GLBTTT na grande Porto Alegre. Comentamos sobre o TCC do outro menino e tal. Surgiu a ideia de ampliarmos o espectro da pesquisa, dar uma melhorada nas questões e usar as facilidades das Internets para chegar ao público-alvo.

Bem, resolvi utilizar a ferramenta do Google para fazer enquetes. Dá uma trabalheira, mas acho que vale muito, os dados já saem organizados, tabulados e graficados. Todo um luxo!!!

O resultado pode ser conferido aqui.

Se você é menino, guri, home, varão e gay, pode responder, coisa que nos fará muito feliz.

Também, se sentir uma grande empolgação, pode mandar para seus amigos. Quanto mais melhor!

Ah, garantimos o anonimato e, claro, os dados serão utilizados para trabalhos acadêmicos e, se Jizuis nossusenhô quisé e Santa Cher permitir, em um capítulo de livro.

18 de abril de 2009

Face Value

Cecília, a gata aristocrática, quase não tem voz. Mia seguido, mas nada se ouve. Olha para a gente, com aqueles olhos verdes que ela herdou de mim, mia fundo, mas não sai som nenhum da sua garganta.

Por algum tempo, achei que ela fosse muda. Ou que tivesse um problema nas cordas vocais.

Papa, can you hear me?

Recentemente, fuxiricando no site do Catster, descobri que os gatos “mudos” existem, não são poucos, e, na verdade, não são mudos! É só que o miado deles é emitido numa frequência inaudível para os ouvidos humanos. Somos nós, macacos pelados, que não ouvimos sua voz. A Cecília, ela, se ouve perfeitamente miar, e o irmão dela a ouve também. (É verdade, já vi a gata miando ar uma vez e o Sebastião se virou para trás, como se tivesse ouvido alguma coisa.)

O marido, que é meio paranóico, tem medo pânico de que um dia a gata fique trancada dentro de um armário ou alguma coisa e de que ninguém a ouça. Na verdade, isso já aconteceu uma vez – e quem a achou foi o outro gato, o que talvez prove a teoria do Catster. O Sebastião se plantou na frente da gaveta das cuecas do marido e miava, triste. Quando abrimos a gaveta, de lá saiu a Cecília, que deve ter ficado uma boa hora e meia presa com as meias soquete.

Além de paranóico, o marido tem outras coisas estranhas. Ouve interferências, onde ninguém mais ouve, como os miados da Cecília. Estávamos esses dias sentados catatônicos na frente da TV e de repente ele grita: que gente burra! Como podem chamar um sapato assim?

O sapato em questão era este, da marca Hetane:

My website is as hopeless as it seems

E o problema todo reside, conta-me o marido, no fato de que, em japonês, hetane significa “que coisa mais mal feita”.

Pensando bem, talvez o publicitário encarregado da campanha dos sapatos fosse descendente de japoneses e soubesse muito bem o que estava fazendo quando escolheu o nome.

A história dos nomes de marcas que são um desastre em outras línguas é bastante rica. Um caso bastante famoso é da caminhonete Pajero, cujo nome, em espanhol, quer dizer “punheteiro”.

Yes! I want a free handjob with my new purchase!

Ser casado com um professor de japonês tem seus problemas. Quando conheci o marido, eu tinha uma tatuagem na canela, que eu acreditava ser meu nome escrito em katakana. O marido tirou-me a ilusão com um risinho irritante: eu tinha escrito irreversivelmente na minha pele, não Marusero, como seria meu nome em japonês, mas manosero, uma palavra que, segundo consta, nem existe.

Sendo uma das poucas pessoas no mundo casada com um professor brasileiro de japonês, fui obrigado a mudar minha tatuagem – hoje tenho um gramofone onde antes havia um erro de ortografia.

6 de marzo de 2009

Dardo Muito


Andava meio cheio deste blog meu, mas aí vem o BeeAGuei com seus mimos e me faz ter vontade de postar novamente, nem que seja só para agradecer.

Então, o BHY me premiou com o Prêmio Dardos. Ele sempre é um amoreco cheio de piropos, declarações e confissões na pista de dança.

Vejamos as regras para o selo "Prêmio Dardos" são:

1 - Colocar a imagem do selo no seu blog;
2 - Linkar a pessoa que te indicou;
3 - Indicar mais 15 pessoas ao prêmio;
4 - Comentar no blog dos indicados sobre esta postagem.

Vamos lá:

Tony Goes
--> Um moço que eu eu admiro pela escrita, pela conekissã com o mundo (uma coisa globalizada) e por manter um relacionamento estável em um mundo tão instável. Ele ainda diz coisas assim ó: "Tenho muitos amigos gays no armário, por inúmeras razões. Família, trabalho, medo, aversão a Judy Garland. Eu mesmo não fui a vida inteira essa mariposa linda, leve e solta. Até bem grandinho, não mencionava meu marido em certas situações. Hoje estou cagando, mas Deus sabe o quanto me custou chegar até aqui" (Particularmente, atóro a Judy Garland).

Alex Cafeína e Tiozinho da Foto --> Dois amigos reais (não virtuais), moram pertinho de casa e no meu coração (aí, tô cafona). Em seus blogs, o primeiro, alex, pouco pessoal e muito enigmático, já o segundo, tiozinho, muito, muito, muito pessoal e bem direto (apesar de na vida fora blog, ser bastante enigmático e gostar de deixar tudo no ar ("noir" em francês).

Es Too-Tsie, mi amor --> Escreve menos do que eu gostaria de ler, escreve sobre ele e as coisas que ele gosta. Temos um gosto parecido para música. Adoraria conversar com ele ao vivo em PoA em Sampa ou em alguma cidade da América Latina. Ele é japa, mas é bem latinão. !Viva Miranda!

Raí
--> Taí um guri chamado Raí, cheio de mistérios amorosos, boa música, uma gata leenda e um decorador de interiores de mão cheia. Há quem garanta ter visto Raí correndo pela asa norte de sunga e crocs. Eu não acredito!

Dos 15 que me deram direito, vou usar somente 5. As outras 10 ficam por conta de vocês.

Buenas Noches, Queridos Conejos.

20 de febrero de 2009

Wikipedia is my Lord













Sempre achamos aqui em casa que a Petula meio que imitava a Julie, principalmente no look britânica queixuda de cabelos curtos (pena que na foto a Petula tá crespa de cabelo longo). Bom, não é que a Wikipedia nos salva da dúvida? As duas eram amigas de palco quando eram crianças prodígio (As Shirley Temples da Bretanha).

"In addition to radio work, Clark frequently toured the UK with fellow child performer Julie Andrews. She became known as "Britain's Shirley Temple" and was considered a mascot by the British Army, whose troops plastered her photos on their tanks for luck as they advanced into battle."

11 de febrero de 2009

Ruy Castro sobre Blossom Dearie


Deu ontem na Folha de São Paulo:

RIO DE JANEIRO -- Uma cantora morreu em Nova York
neste fim de semana. Chamava-se Blossom Dearie. Tinha 82 anos e era a última sobrevivente da sua geração de diseuses de cabaré -- intérpretes de pequenos ambientes, especialistas em canções com melodias e letras elaboradas, por autores como Cole Porter, Noël Coward, Duke Ellington, Cy Coleman, Michel Legrand, o próprio Tom Jobim. Canções que "dizem" coisas.

A exemplo de Blossom, esses cantores costumam ser seus próprios pianistas, dando um suave esmalte jazzístico ao acompanhamento. E nenhum deles jamais foi visto num
hit parade. Ao mesmo tempo, atraíram pelos anos afora uma sólida multidinha internacional de adoradores, unidos pela admiração comum. No Brasil, os fãs de Blossom são tão poucos que, pelos meus cálculos, todos devem se conhecer.

Não que ela não pudesse ser de apelo universal. O problema era que o mundo teria de parar para escutá-la -- porque a voz de Blossom, segundo o crítico Whitney Balliett, "mal alcançava o segundo andar de uma casa de bonecas". Já cantava assim, baixinho e sem sombra de vibrato, desde o começo dos anos 50, muito antes que se atribuísse a Chet Baker e João Gilberto a criação desse jeito de cantar.

Depois de décadas na geladeira mesmo nos EUA, as primeiras e definitivas gravações de Blossom estão disponíveis de novo, assim como os discos que ela produziu nos anos 70 e 80 para seu selo Daffodil. Estão todas na Internet. "Hey, John", "I'm hip", "Peel me a grape", "Wave", "Chez moi" e "You fascinate me so" soam melhor do que nunca, vindas do espaço e fazendo curvas entre as esferas.

Em tempos de som e fúria -- cada vez mais difícil dissociar as duas coisas --, Blossom era a prova de que pode haver grande música nas pausas e nos sussurros. Bem a propósito, morreu dormindo.

28 de agosto de 2008

Ceci on the Scannerfloor

Princess Cecília Kylie Marie Elisabeth ainda prefere o Confessions.

24 de agosto de 2008

Presents do tipo Gifts


Celia Ribeiro é a referência em etiqueta e comportamento aqui no Rio Grande do Sul. Além de vários livros públicados, como esse aí do lado, ela escreve todo o domingo no jornal Zero Hora.

Celia tem um modo todo próprio de escrever. Aqui em casa como sempre lemos a sua coluna, falamos algumas coisas como se fossem escritas por ela. Tipo: surgem mini-quiches e o garçon traz pequenos guardanapos presos com mini-clips (tudo tem mini-clips e tudo é no presente), para espanto das senhoras presentes.

Sempre lembro de uma coluna sobre a moça que vai dormir pela primeira vez na casa do namorado. Algo assim: ele tem escovas de dentes novas. Ele retira um sorvete muito gostoso do congelador, surgem pequenas taças próprias para o sorvete. Tudo de muito bom gosto.

Bom, atentem para o início de um de seus textos de hoje:

"A troca de delicadezas é inerente a uma relação social. Independente de ter sido de nosso agrado ou não, todo presente merece agradecimento. Quando se recebem flores ou uma pequena lembrança de parte do convidado de um jantar ou de uma festa oferecida na véspera, não é preciso agradecer logo. No primeiro encontro, se faz referência àquela atenção: "Obrigada pelas lindas rosas". Pacotes de presentes de aniversário são sempre acompanhados por um cartão (faltou o preso por um mini-clip), uma das mais freqüentes oportunidades para o uso do cartão de visita. Como o presenteado não pode abrir o pacote na ocasião, é a única forma de a aniversariante identificar quem deu o quê. Um amigo da coluna desafabou, com razão, que a maior parte das vezes que isso acontece não recebe um telefonema ou um agradecimento posterior, "pelo menos para dizer alguma coisa e a gente saber se o presente foi identificado".

Então, meu muito obrigado aos que já confirmaram presença no meu aniversário e, gentilmente, fizeram depósitos em Euros na minha conta numerada para que se possa efetuar o pagamento da moça que vai cantar.

Outra dica do jornal de hoje é sobre retirar o selinho dos cristais (tudo vindo lá de Santa Catarina). Retire, sua porca! E lave bem seu copinho.

PS: A festa tanto pode ser adiantada para o Rio de Janeiro quanto para Buenos Aires. Vejo vocês lá!

24 de febrero de 2008

De la musique...


Um dos projetos para as férias de verão foi o de organizar os móveis da casa, mudar algumas coisas de lugar, comprar outras, desde que o orçamento permitisse. O que incluiu algumas tardes de suor, briguinhas, plantas novas, muito lixo e alguns quadros novos e outros velhos na parede, o que custou uma furadeira nova.

Esse pôster foi elaborado para homenagear gente que a gente gosta, mas que é gente famosa. Ai gente! Agora essa gente toda mora ao lado de uma reprodução do Miró no corredor. As fotos foram colhidas na internet (algumas capas de disco, outras fotos promocionais), organizadas pelo marido (algumas pessoas estão repetidas), a frase é de um poema do Verlaine (Art Poétique), e impressas numa casa especializada (que não imprime em papel fosco!).

Vejamos os contemplados, de cima para baixo e da esquerda para a direita:
Ella, Doris e Rock, Dalida, Peggy, Nina,
Chet, Blossom, Frank, Michael, Marlene,
Beach Boys, Anita, Nacho y Alaska, Mike, Fairground Attraction
Blossom, Billie, Hey Eugene! Pink Martini, La Casa Azul, Françoise,
Peggy, Alaska y los Pegamoides, Blossom, Nancy, Dusty,
Liza, Pink Martini, Billie, Beatles, Judy,
Marylin, Joni, Nancy and Frank, Pink Martini e Nina.

O marido, querendo se fazer de engraçadinho, disse que parece que colocamos as comunidades do orkut na parede. Mentira! Eu não to em nenhuma comunidade da Judy Garland, só da Doris Day.

E o quadro ao vivo é bem mais bonito que na foto!

11 de enero de 2008

Esta noche ellas cantan para mí

Quem poderia fazer uma canção delicada, pop grudenta e cheia de referências tão perfeita quanto La Casa Azul?

Estou totalmente apaixonado por Esa Noche Sólo Cantan Para Mí.

Quando o Guille Milkyway está sozinho, alguém canta para ele?

Sí ...
Esta noche Blossom canta para mí,
esta noche Nina canta para mí,
esta noche Kirsty canta para mí,
esta noche sólo cantan para mí.

Esta noche Karen canta para mí,
esta noche Dusty canta para mí,
esta noche Astrud canta para mí,
esta noche sólo cantan para mí.

A letra completa aqui
O Mp3 para deleite aqui (mesmo que ninguém baixe)

Chove em PoA

...


He walks away
The sun goes down
He takes the day
But I'm grown
And in your way
In this blue shade
My tears dry on their own
...

28 de agosto de 2007

To Keep The Beat Alive

Na nova música vazada para os meios eletrônicos da amiga Madonna, entre vários clichês e frases feitas, tem uma parte lembra um standard de jazz que eu amo – To keep my love alive – de Rodgers & Hart.

Madonna diz: Always the bride's maid, never the bride, enquanto que em To keep my love alive é ao contrário: I'm never a bridesmaid,I'm always the bride.


No youtube, um clip em stop-motion para a versão da Blossom Dearie de To keep my love alive. Um luxo!

O Confessions já era cheio de frases feitas e auto-citações (até de Every breath you take do the Police), a música do Live Earth parecia uma lista de títulos de antigas canções (Open your heart and you’ll see papa don’t preach Deeper and Deeper we need a holiday, let’s go to la isla bonita I’m burning up because you give me fever), só falta o novo álbum ser o mesmo desfile de clichês. Pelo menos, as letras são fáceis de decorar.

A letra na íntegra de The beat goes on no BHY, a letra de To keep my love alive aqui e a versão do Andrei (lá vou eu de novo!) aqui, definição da expressão Always a bridesmaid, never a bride Aqui.